Domingo foi aniversário dele...É isso mesmo que você esta pensando. Dele, você sabe como é. Não dá pra chamar de "meu namorado" nem pelo nome.
Melhor ir devagar.
Quando soube que esta data se aproximava, fiquei por muito tempo, pensando se deveria dar algum presente. Por consideração ou etiqueta,claro. (Não que eu esteja sendo frívola, mas não tinha certeza o que aquilo poderia simbolizar, mais uma vez, você entende.)
Não queria criar o clima de intimidade, carinho e atenção que vêm de brinde com estes momentos. Então pensei em dar alguma coisa casual, tipo um livro do Stephen King comprado no sebo, para meu próprio uso, e que agora já podiam seguir para outras mãos.
Mas ele não tinha o hábito da leitura, não sabia o que era um sebo e, meu Deus do Céu, pensou que o Autor de "O Iluminado" fosse o Paulo Coelho.
Fracasso total.
Acabou parecendo uma tentativa de educar o mancebo, deixando nas entrelinhas a intenção de transforma-lo em alguém que ele não era.
Mas, não abortei totalmente a idéia do livro. Apenas incluí uma camiseta ao pacote aniversário, na esperança de que o fracasso do primeiro fosse equilibrado pela neutralidade do segundo.
A camiseta cinza-chubo da Levi´s com a estampa de um coelho parecido com o Roger Rabty saindo de uma cartola parecia perfeita, mas o tamanho "M" era duvidoso. Comprei essa mesmo, porque em número maior não tinha a mesma estampa.
Não serviu, ficou apertada no braço, mas ele fingiu que ficou boa e usou em seu churrasco de parabéns. (Eu pedi que usasse.)
Acho que ele nunca vai ler o livro (talvez leia porque eu disse: "Mas é pra ler heim!" - "Eu vou ler sim, em uma semana você vai ver") E acho que nunca mais vai usar a camiseta.
Eu:
- Hum... Acho que ficou apertada no braço.
Ele:
- Não ficou não, ta bom assim, parece baby look. Eu gostei.
- É bom mesmo usar assim, porque nesta estampa só tinha "M".
Sorrisinho e beijinho.
- Ficou ótima, claro que vou usar.
Sorrisinho e beijinho, de novo.

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